Após o divórcio ou dissolução de união estável, é padrão a fixação da pensão alimentícia mensal somada ao acordo de divisão de despesas extraordinárias dos filhos na proporção de 50% para cada genitor (como mensalidades e materiais escolares, uniformes, plano de saúde, consultas médicas particulares, farmácia e cursos extracurriculares).
Na rotina real, um dos pais arca com os boletos integrais para não prejudicar o filho, envia os comprovantes pelo WhatsApp para o outro e começa a maratona de desculpas e adiamentos. Com o passar dos meses, o saldo acumulado chega a milhares de reais.
Como exigir o reembolso dessas despesas de forma legal e documentada?
1. Diferença entre a Pensão Fixa e o Reembolso de Despesas
É fundamental distinguir os dois institutos perante a Justiça brasileira:
- Pensão Alimentícia Fixa (Alimentos): É o valor fixo determinado em sentença ou acordo homologado pelo juiz. O não pagamento dessa verba autoriza a prisão civil do devedor (Artigo 528 do CPC).
- Divisão de Despesas Extraordinárias/Reembolso: São gastos que variam mês a mês. Se estavam previstos em acordo judicial, a execução segue o rito de penhora de bens e contas. Se foram combinados particularmente por mensagem, configuram crédito civil comum por dever mútuo de sustento (Artigos 1.566, IV, e 1.703 do Código Civil).
Para qualquer dos casos, antes de acionar a Vara de Família ou o Juizado Especial, a apresentação de uma prestação de contas formal é o passo obrigatório.
2. A Notificação Extrajudicial de Prestação de Contas e Cobrança
Mandar mensagens soltas de cobrança com dezenas de prints de cupom fiscal no WhatsApp geralmente gera discussões emocionais e acusações mútuas que não resolvem o débito.
A saída técnica recomendada por advogados de família é a Notificação Extrajudicial formal:
- Consolidação em demonstrativo único: O documento organiza as despesas por mês e categoria (ex: material escolar R$ 800, consultas R$ 400 = total R$ 1.200, cabendo a quota-parte de R$ 600 ao notificado).
- Fixação de prazo e dados bancários: Concede prazo razoável (geralmente 5 a 10 dias úteis) para quitação via Pix.
- Constituição em mora: Fixa a data a partir da qual incidirão juros legais de 1% ao mês e correção monetária sobre as despesas não ressarcidas.
- Respaldo para medidas judiciais: O envio formal com comprovante de entrega serve como prova plena para o juiz da Vara de Família de que as contas foram apresentadas de forma transparente e que o outro genitor se recusou injustificadamente a cooperar com o sustento da prole.
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